Néon
Quem arranca dos outros
o poema
e de quem é a virtude
de vivê-lo
sem soterrar-se de todo
por inteiro
ou amá-lo em deleite
o sabor
As formas aparentam doces
quando o são
Quanto ao amargo
há, por ventura, vá lá
magnitude
Provocantes, exalam cheiros, luzes
rosas, verdes, laranjas
estão para todos os sentidos
ó severa infinitude!
Um momento!
Não precisa parar!
Sua felicidade é indo...
Fingir o momento com a forma?
Perder o devir com o pensamento?
A que interessa saber o nome das cores?
Sentir. Hum...
Apagou-se a luz e onde estou?
Resta o tempo...
Os versos de hoje são quadros
a palavra, unidade luminosa
letra por letra, fótons
relâmpejam insaciáveis
a todos quero tocá-los
e não sei de nada,
nem onde estão, o que são
os versos vêm e atingem
o maior de todos os colapsos
e tudo parece de fácil compreensão
Do olhar às ações
Um sopro de amor
bafo fino
e passa-se o pano
Entrementes, vidro
no lado de fora
rasteja e valida-se
em desenganos
Lá fora, em morais
e vaticanos,
varíolas e abnegações
tornam-se motivos de orgulho
Afora, às missivas madrugadas
em peste cresce,
varões e oráculos
homens servos
vorazes carniceiros
Alimentam-se
salitre em poder
variam em considerações
e gostam da palavra certa
Existe em toda terra,
atrás do olhar
o homem em ponderação
mente, reinventa o mundo
conforme sua razão
sem contar que precisava
à palavra limpar
e quantas vezes o olhar
leve um sopro de amor
Um sopro de amor
bafo fino
e passa-se o pano
Entrementes, vidro
no lado de fora
rasteja e valida-se
em desenganos
Lá fora, em morais
e vaticanos,
varíolas e abnegações
tornam-se motivos de orgulho
Afora, às missivas madrugadas
em peste cresce,
varões e oráculos
homens servos
vorazes carniceiros
Alimentam-se
salitre em poder
variam em considerações
e gostam da palavra certa
Existe em toda terra,
atrás do olhar
o homem em ponderação
mente, reinventa o mundo
conforme sua razão
sem contar que precisava
à palavra limpar
e quantas vezes o olhar
leve um sopro de amor
Sabe aqueles perfeitos estalos da razão?
Agora foi como se fosse
Não teria outras palavras,
para dizer-vos que não estas
E, realmente, não as tenho,
Passado um vão momento
a palavra me veio:
Sabe aqueles perfeitos estalos
intrometidos nas convulsões
da vontade dos tolos
sarapitados e vassalos
em torniquetes de vinco?
Hora se mostram pintados de parda felicidade
Hora, são pequenos coloristas do tédio
Faça-se um destes e veras quanto vingas sem moral
O palhaço em negação
valoriza o irreconhecível
surpreende, mas, tamanha identificação há
senão, o que seria dos gestos infantis?
Prosódia desconecta da mimese
em sua disforme função de sorrir
prova-nos insatisfeitos desarranjos
Ora, o que esperar de momentos hilários
o desfecho da estabanação
a queda, o desgaste e a louvação.
Como um intenso bordão que podemos soletrar
e assim torna-se insuportável
Vamos, deixas de ser tão triste
e joga logo esse dominó,
Vamos, vê se não desiste
Em uma jogada a vida desaba.
Risos gerais.
Agora foi como se fosse
Não teria outras palavras,
para dizer-vos que não estas
E, realmente, não as tenho,
Passado um vão momento
a palavra me veio:
Sabe aqueles perfeitos estalos
intrometidos nas convulsões
da vontade dos tolos
sarapitados e vassalos
em torniquetes de vinco?
Hora se mostram pintados de parda felicidade
Hora, são pequenos coloristas do tédio
Faça-se um destes e veras quanto vingas sem moral
O palhaço em negação
valoriza o irreconhecível
surpreende, mas, tamanha identificação há
senão, o que seria dos gestos infantis?
Prosódia desconecta da mimese
em sua disforme função de sorrir
prova-nos insatisfeitos desarranjos
Ora, o que esperar de momentos hilários
o desfecho da estabanação
a queda, o desgaste e a louvação.
Como um intenso bordão que podemos soletrar
e assim torna-se insuportável
Vamos, deixas de ser tão triste
e joga logo esse dominó,
Vamos, vê se não desiste
Em uma jogada a vida desaba.
Risos gerais.
Aprender
No tempo do aprendizado
É o instante, um longo curso
Pairando num espaço incerto
Trasbordando pensamento
Alonga-se em corpo, gesto
O corpo sinuoso.
É tempo de colher frutos
Padecendo do prazer
Seguro em mãos de fada
solto em jorro secreto
Imensa solidão
de quem sabe tudo!
O que seria da vida
se não fosse caminhada
Fluir o aprendiz, almas perfeitas
Quem tem coragem de cometer o absurdo?
Seria perder no âmago o gosto de uma saudade
Pôr este sabichão de empreitada fantasia,
eu velo.
No tempo do aprendizado
É o instante, um longo curso
Pairando num espaço incerto
Trasbordando pensamento
Alonga-se em corpo, gesto
O corpo sinuoso.
É tempo de colher frutos
Padecendo do prazer
Seguro em mãos de fada
solto em jorro secreto
Imensa solidão
de quem sabe tudo!
O que seria da vida
se não fosse caminhada
Fluir o aprendiz, almas perfeitas
Quem tem coragem de cometer o absurdo?
Seria perder no âmago o gosto de uma saudade
Pôr este sabichão de empreitada fantasia,
eu velo.
Momento
Estou sentado
debaixo de uma árvore
Passam os segundos
por minha vida
o tempo vai
ficando tarde
Tenho certeza
no momento
em que me encontro
doce
O tempo vai
passa
Céu mudando
Hoje, hoje, hoje
Pensamentos voam,
flutuam
e somem como bolhas.
Estou sentado,
O céu mudando
Estou andando
Simples
A vida vai sublime,
como das árvores caem as folhas.
Estou sentado
debaixo de uma árvore
Passam os segundos
por minha vida
o tempo vai
ficando tarde
Tenho certeza
no momento
em que me encontro
doce
O tempo vai
passa
Céu mudando
Hoje, hoje, hoje
Pensamentos voam,
flutuam
e somem como bolhas.
Estou sentado,
O céu mudando
Estou andando
Simples
A vida vai sublime,
como das árvores caem as folhas.
Néon
quem arranca dos outros o poema
e de quem é a virtude de vivê-lo
sem soterrar-se de todo, por inteiro
ou ama-lo deleite e sabor
as formas aparentam doces
quando o sãoe tem o gosto do amargo
também apresentam a sua magnitude
provocantes, fazem cheiros e luzes
rosas, verdes, laranjas
estão pra todos os sentidos
a severa atitude
o momento não precisa parar
sua felicidade é indo
fingir o momento com a forma?
perder o devir com o pensamento?
a que me interessa saber o nome das cores?
sentir, sabendo do momento
apagou-se a luz, e onde estou
a musica do nosso tempo
os versos de hoje são quadros
a palavra, unidade luminosa
letra por letra, fótons
relâmpejam insaciáveis
a todos quero tocá-los
e não sei de nada, nem onde estão
o que são, os versos vêem
e atinge o maior de todos os colapsos
e tudo parece de fácil compreensão.
quem arranca dos outros o poema
e de quem é a virtude de vivê-lo
sem soterrar-se de todo, por inteiro
ou ama-lo deleite e sabor
as formas aparentam doces
quando o sãoe tem o gosto do amargo
também apresentam a sua magnitude
provocantes, fazem cheiros e luzes
rosas, verdes, laranjas
estão pra todos os sentidos
a severa atitude
o momento não precisa parar
sua felicidade é indo
fingir o momento com a forma?
perder o devir com o pensamento?
a que me interessa saber o nome das cores?
sentir, sabendo do momento
apagou-se a luz, e onde estou
a musica do nosso tempo
os versos de hoje são quadros
a palavra, unidade luminosa
letra por letra, fótons
relâmpejam insaciáveis
a todos quero tocá-los
e não sei de nada, nem onde estão
o que são, os versos vêem
e atinge o maior de todos os colapsos
e tudo parece de fácil compreensão.
Onde mora o poema
Instaurar as considerações sobre o poema
e acorrentá-lo, despóticos da alma
Ao que se quer, estilhaçar o poema
Em miríades atos o poema deságua
Há de não encontrá-lo em terras pequenas
Limitá-lo a um manso mar de palavras
O poema por si, nunca é por si.
Vai só, retumbando quatro ventos
E quem saudade, surtir sofrimentos
concilia-se com a vontade de sentir
O poema desalinhado, criva em ti
Um mar, rubor sentido por dentro
Que no caminho do poema tento
Atinado por suas vias prosseguir.
Instaurar as considerações sobre o poema
e acorrentá-lo, despóticos da alma
Ao que se quer, estilhaçar o poema
Em miríades atos o poema deságua
Há de não encontrá-lo em terras pequenas
Limitá-lo a um manso mar de palavras
O poema por si, nunca é por si.
Vai só, retumbando quatro ventos
E quem saudade, surtir sofrimentos
concilia-se com a vontade de sentir
O poema desalinhado, criva em ti
Um mar, rubor sentido por dentro
Que no caminho do poema tento
Atinado por suas vias prosseguir.
Descontinuo
Importante é descobrir que nada é eterno
Nenhuma preocupação te subtrai
Complementa? Amparado o céu esplendido.
Todas as fixações são banais
Entretanto, os fandangos de terreiros
sonhos soltos alicerçam
sustentando de virtudes semeemos:
campos de plantações à terra
Esperando a colheita sob o Sol
o momento chega e toda espera dilui
Com um leve toque e... Esqueça
Um instante sem ilusão: paz já não possui
Os tempos se acabam em colheitas
reinventam-se ao desatar as costas do Sol
Lembro, apenas, de os passos cruzar, danças
poeira, a terra ainda não secou e no terreiro
os mitos eram levados a sério, todas as vidas
Os pássaros em revoada, planam pelo o desejo
e lançam-se sobre o milharal, as crianças
em copas de sombreio, jogam pedras a brincar
Portanto, o Sol nasce pra todos,
Sombras são para alguns, ora veja
Importante é que nada é duradouro
O soslaio do planar dos pássaros
Do longo semeio à colheita
Confia-te a amar vastos atos.
Importante é descobrir que nada é eterno
Nenhuma preocupação te subtrai
Complementa? Amparado o céu esplendido.
Todas as fixações são banais
Entretanto, os fandangos de terreiros
sonhos soltos alicerçam
sustentando de virtudes semeemos:
campos de plantações à terra
Esperando a colheita sob o Sol
o momento chega e toda espera dilui
Com um leve toque e... Esqueça
Um instante sem ilusão: paz já não possui
Os tempos se acabam em colheitas
reinventam-se ao desatar as costas do Sol
Lembro, apenas, de os passos cruzar, danças
poeira, a terra ainda não secou e no terreiro
os mitos eram levados a sério, todas as vidas
Os pássaros em revoada, planam pelo o desejo
e lançam-se sobre o milharal, as crianças
em copas de sombreio, jogam pedras a brincar
Portanto, o Sol nasce pra todos,
Sombras são para alguns, ora veja
Importante é que nada é duradouro
O soslaio do planar dos pássaros
Do longo semeio à colheita
Confia-te a amar vastos atos.
As Janelas
Daqui da janela eu vejo o meu mundo.
Flores brancas na sacada
Interno e desfigurado, zarolho colibri.
Amanha terá manha e serei feliz
com tudo isso.
Daqui não há lamurientos.
E as meninas
do outro lado da rua,
vejo-as assustadoramente belas.
E minha paixão por esse encanto
faz dum aceno
uma tarde inteira de saciedade.
Aqueles meninos desordeiros
não deixam de extravasar
às vacilações do espírito inquieto.
Outro dia, fiquei sabendo,
de passagem
quase matam um cara à tapa.
Passam por aqui, gritam e uivam
iludem, procuram conversa
e fala e dês-fala.
Vejo-os daqui de cima.
e seguro, desdito essa farsa.
Maravilha daqui da janela.
Isso pra mim já basta.
Você aí. Boa! Eu aqui.
E todo mundo que passa.
São três Sois se eu quiser
Vagões, monstros celestiais
Ombros erguidos no bronze
Memoriais e nada, nada, nada
Chuvas se tornando em cachoeira
Muros de efeitos verticais
Homens quase sempre ridículos
E carros, praças, migalhas.
Pedidos que não pude
desprezo, onde me enforco.
A vida inteira que passa
daqui da janela
a moldura
dia-a-dia dilata-se
infere movimento uterino
e percebo que poderia, talvez,
ir até a varanda.
Daqui da janela eu vivo o meu mundo.
Meus passos, entrego ao esquecimento
e desintegro a distancia
que impus ao equilíbrio.
Conseguiria tocar
nas lembranças mais amargas
assentar as penúrias involuntárias
os desertos gelados de medo
e segredando a esses ventos que passam
o mundo atormentado em soles
quentura e consciência úmida
fervilha em desassossego
a essência da sabotagem.
Entrego meu mundo às janelas
se consigo chegar na saudade.
Pulando alto, decido mudar, vaidade.
Recinto, num forte delírio com fogo sóbrio.
Descanso e invejo
os que passam atormentados por tanto sentido.
Um salto e as vertigens dos começos.
Contemplo o inverno e nada desejo.
O vazio faz o redemoinho infernal
Qualquer faísca explode, fogueteiro
a vontade insatisfeita de amar.
No dia que abrir a janela
com certeza vou saltar.
Daqui do meu mundo eu vejo as janelas
em frases e poucos poemas
que chovem em pequenos versos
cada passo.
Soletro incessante às avenidas
e tantos quilômetros rodados
de fatos e vozeirões encanecidos
vasos e tropeços das encarnações
maravilhas sedimentadas nas retinas
Aviamentos de cedas, cortinas
é que fazem das janelas
costuras em pontos soltos
para que possa passar por meu corpo
para que possa ser manto e cobertor
e todos os outros brinquedos do passado.
Como gloria em tapetes adornados de vôos
abro as janelas do meu mundo
acompanho os passarinhos sem desvelo
me entrego ao prazer do céu.
Daqui da janela eu vejo o meu mundo.
Flores brancas na sacada
Interno e desfigurado, zarolho colibri.
Amanha terá manha e serei feliz
com tudo isso.
Daqui não há lamurientos.
E as meninas
do outro lado da rua,
vejo-as assustadoramente belas.
E minha paixão por esse encanto
faz dum aceno
uma tarde inteira de saciedade.
Aqueles meninos desordeiros
não deixam de extravasar
às vacilações do espírito inquieto.
Outro dia, fiquei sabendo,
de passagem
quase matam um cara à tapa.
Passam por aqui, gritam e uivam
iludem, procuram conversa
e fala e dês-fala.
Vejo-os daqui de cima.
e seguro, desdito essa farsa.
Maravilha daqui da janela.
Isso pra mim já basta.
Você aí. Boa! Eu aqui.
E todo mundo que passa.
São três Sois se eu quiser
Vagões, monstros celestiais
Ombros erguidos no bronze
Memoriais e nada, nada, nada
Chuvas se tornando em cachoeira
Muros de efeitos verticais
Homens quase sempre ridículos
E carros, praças, migalhas.
Pedidos que não pude
desprezo, onde me enforco.
A vida inteira que passa
daqui da janela
a moldura
dia-a-dia dilata-se
infere movimento uterino
e percebo que poderia, talvez,
ir até a varanda.
Daqui da janela eu vivo o meu mundo.
Meus passos, entrego ao esquecimento
e desintegro a distancia
que impus ao equilíbrio.
Conseguiria tocar
nas lembranças mais amargas
assentar as penúrias involuntárias
os desertos gelados de medo
e segredando a esses ventos que passam
o mundo atormentado em soles
quentura e consciência úmida
fervilha em desassossego
a essência da sabotagem.
Entrego meu mundo às janelas
se consigo chegar na saudade.
Pulando alto, decido mudar, vaidade.
Recinto, num forte delírio com fogo sóbrio.
Descanso e invejo
os que passam atormentados por tanto sentido.
Um salto e as vertigens dos começos.
Contemplo o inverno e nada desejo.
O vazio faz o redemoinho infernal
Qualquer faísca explode, fogueteiro
a vontade insatisfeita de amar.
No dia que abrir a janela
com certeza vou saltar.
Daqui do meu mundo eu vejo as janelas
em frases e poucos poemas
que chovem em pequenos versos
cada passo.
Soletro incessante às avenidas
e tantos quilômetros rodados
de fatos e vozeirões encanecidos
vasos e tropeços das encarnações
maravilhas sedimentadas nas retinas
Aviamentos de cedas, cortinas
é que fazem das janelas
costuras em pontos soltos
para que possa passar por meu corpo
para que possa ser manto e cobertor
e todos os outros brinquedos do passado.
Como gloria em tapetes adornados de vôos
abro as janelas do meu mundo
acompanho os passarinhos sem desvelo
me entrego ao prazer do céu.
Canção do Instante
A água séria da vontade
extravasa o homem
de serenidade
Quando a alma é linda
e o instante é puro
um porém,
Com suas notas
inflamadas de medo
duma desdita passageira
o que fica é o segredo
que degenera
com a distância minha
Sobretudo as desordens
do pesadelo
causado pela fome
repetida
o que é interno
não tem despedida
mas, o que é de fora
luta de forma aguerrida
com a fadiga
de outrora tempo
O homem encontra
em seu invento
um espelho sujo
do que quer contar
deixando os pés
se atolarem fundo
em sua memória
de querer lembrar
do que já é morto
e não sobrevive,
pois, das ações
de que nunca se redime
ao conselho sujo
do que foi sua vida
que de nada mais
se pode esperar
E ainda, antes,
que o instante exista,
ele tenta, então,
se refazer da sorte
e essa, que em seu seio existe
também faz da morte
o seu pleno espasmo
de um correr pra sorte
que não tem espaço
Entram-lhe os sonhos tolos
e passam por baixo
elimina a sorte
e sorrateiro lastro
da sua alma moribunda
de matar carrascos
Em que a vida é funda
onde nada cria
tudo se consuma
com um sangue frio
de uma ave má
que plana a plantação
e de nunca crescerem,
nem regadas são
vive o pobre tolo a reclamar
da sua triste sina
do não ser criar
E de tudo fome
se fazer seu ser
onde tudo esconde
o medo de morrer
de onde não se pode
nunca arrefecer
deste mal profundo
que ninguém extirpa
pois que vida é sumo
deste mel de tripas
que o homem esconde
para não comer
Mas que sozinho degenera
Em sua boca o poder
Que não mais a vida
que deveras sobre ele
sempre a falta
e de nada vive
pois, que a morte funda
atracou-se a alma
que se não é profunda
o seu medo cala
na primeira tumba
que se soerguer
Antes mesmo
deste ser medonho
lhe inflamar a cara
com seu desrespeito
tomar-lhe a calma
como um desespero
tire dele a arma
que lhe faz sofrer
que se o instante existe
esse sobrevive mesmo
antes de tornar-lhe morte
torna toda a vida
lhe fazer a sorte
que essa é feita pra viver.
Quando se depara
com a sorte grande
Este ser infante
se transforma em tédio
e terrível chora
sem saber de antes
e o seu dedo indica
quando a morte lambe
e o seu corpo sofre
o instante incerto.
As metáforas que guardei
pra minha morte
só eternizam
a saudade que já sinto
Pois que viva e
as sensações do espírito
que se elimina
quando cai o pote
Entre estadas e brincantes
sai a ilusão da morte
que se essa fica
tudo é despedida
Entre tantas barcas
se afundou a vida
essa que não pode
ser eterna morte
Pois a vida, com
toda a sua aparência
se assemelha muito
com essa despedida
Que de nada esconde
e que certa espirra
meio as sensações
de quem não cai na sorte
Entre tantas louras
sensações de morte
a que me acompanha
tento por a parte
Mas se me estranho
levo ao seu extremo
Que o saber da carne
não se cala em partes
De grito solto
entre tantas vidas
nós fôramos mortos
e se intensifica
se não se despoja
com que se elimina
desta podre parte
que não se elimina
Antes ser fatal
e encarar o sal
que gozar no doce
num eternamente
essa palavra, ela repartida
lhe dirá freqüente
Éter na mente
E se tua saudade,
ou angustia vã
não lhe obedece,
tenha muita campa
é bicho que anda nos campos
procurando veste
que lhe cubra a liberdade
e se convalesce
fica então na sombra
e não se esquece
do nascer do sol
de um dia bom
do feio crepúsculo
de um incomodo vão.
A mesma seriedade
que se faz a sorte
é destas maldades
que destrói a vida
E inflama a morte
sem a despedida
Aquela morte vulgar
que só nos irrita
E não faz mais nada,
não se aglutina
Pois é triste o fim
de quem não se anima
e se põem na sorte
de viver a morte
pra sentir a vida.
A água séria da vontade
extravasa o homem
de serenidade
Quando a alma é linda
e o instante é puro
um porém,
Com suas notas
inflamadas de medo
duma desdita passageira
o que fica é o segredo
que degenera
com a distância minha
Sobretudo as desordens
do pesadelo
causado pela fome
repetida
o que é interno
não tem despedida
mas, o que é de fora
luta de forma aguerrida
com a fadiga
de outrora tempo
O homem encontra
em seu invento
um espelho sujo
do que quer contar
deixando os pés
se atolarem fundo
em sua memória
de querer lembrar
do que já é morto
e não sobrevive,
pois, das ações
de que nunca se redime
ao conselho sujo
do que foi sua vida
que de nada mais
se pode esperar
E ainda, antes,
que o instante exista,
ele tenta, então,
se refazer da sorte
e essa, que em seu seio existe
também faz da morte
o seu pleno espasmo
de um correr pra sorte
que não tem espaço
Entram-lhe os sonhos tolos
e passam por baixo
elimina a sorte
e sorrateiro lastro
da sua alma moribunda
de matar carrascos
Em que a vida é funda
onde nada cria
tudo se consuma
com um sangue frio
de uma ave má
que plana a plantação
e de nunca crescerem,
nem regadas são
vive o pobre tolo a reclamar
da sua triste sina
do não ser criar
E de tudo fome
se fazer seu ser
onde tudo esconde
o medo de morrer
de onde não se pode
nunca arrefecer
deste mal profundo
que ninguém extirpa
pois que vida é sumo
deste mel de tripas
que o homem esconde
para não comer
Mas que sozinho degenera
Em sua boca o poder
Que não mais a vida
que deveras sobre ele
sempre a falta
e de nada vive
pois, que a morte funda
atracou-se a alma
que se não é profunda
o seu medo cala
na primeira tumba
que se soerguer
Antes mesmo
deste ser medonho
lhe inflamar a cara
com seu desrespeito
tomar-lhe a calma
como um desespero
tire dele a arma
que lhe faz sofrer
que se o instante existe
esse sobrevive mesmo
antes de tornar-lhe morte
torna toda a vida
lhe fazer a sorte
que essa é feita pra viver.
Quando se depara
com a sorte grande
Este ser infante
se transforma em tédio
e terrível chora
sem saber de antes
e o seu dedo indica
quando a morte lambe
e o seu corpo sofre
o instante incerto.
As metáforas que guardei
pra minha morte
só eternizam
a saudade que já sinto
Pois que viva e
as sensações do espírito
que se elimina
quando cai o pote
Entre estadas e brincantes
sai a ilusão da morte
que se essa fica
tudo é despedida
Entre tantas barcas
se afundou a vida
essa que não pode
ser eterna morte
Pois a vida, com
toda a sua aparência
se assemelha muito
com essa despedida
Que de nada esconde
e que certa espirra
meio as sensações
de quem não cai na sorte
Entre tantas louras
sensações de morte
a que me acompanha
tento por a parte
Mas se me estranho
levo ao seu extremo
Que o saber da carne
não se cala em partes
De grito solto
entre tantas vidas
nós fôramos mortos
e se intensifica
se não se despoja
com que se elimina
desta podre parte
que não se elimina
Antes ser fatal
e encarar o sal
que gozar no doce
num eternamente
essa palavra, ela repartida
lhe dirá freqüente
Éter na mente
E se tua saudade,
ou angustia vã
não lhe obedece,
tenha muita campa
é bicho que anda nos campos
procurando veste
que lhe cubra a liberdade
e se convalesce
fica então na sombra
e não se esquece
do nascer do sol
de um dia bom
do feio crepúsculo
de um incomodo vão.
A mesma seriedade
que se faz a sorte
é destas maldades
que destrói a vida
E inflama a morte
sem a despedida
Aquela morte vulgar
que só nos irrita
E não faz mais nada,
não se aglutina
Pois é triste o fim
de quem não se anima
e se põem na sorte
de viver a morte
pra sentir a vida.
Foi-se o tempo...
A distancia é uma cicatriz
e meu temperamento de todos os dias
me desloca e me desconheço
Com alguma coragem
o meu único refúgio
é sofrer por parques e sem me lamentar
piso em folhas secas
para que não me seque o coração
e nem core minhas ansiedades
embebido de tantas paixões
Eu sou destes que anda pelos parques
e em todas as estações, amo
com uma dureza silenciosa
de um Buda de pedra
Vejam as pessoas que vão aos museus
sentem e entendem, buscam sentidos,
ligações, ombros e olhos, pensam
e tocam o queixo
Não existe nada mais fácil do que ir a um museu.
Delicia é que a vida tem muitos museus!
Os Museus que se podem quebrar
são os meus preferidos
Gosto de fingir obras monumentais
Imito a perseverança, a descrença,
o elo de desejo entre tantos corpos
imito os animais e até mesmo
os grandes homens, as vezes...
Aquela solidão deliciosa dos carnavais
como se todos nós fossemos
folhas secas em putrefação
estar alheio ao existir,
jogar fora o que se acredita e fingir o belo
fingir o belo e deleite de si mesmo
sem precisar fazer-se de museu
Meu rosto, por hora pálido
varou invernos lutando contra a dor
que eu tanto estimava
me vejo a andar sobre folhas secas
sentindo uma dor forte de paixão, de amor
Sou “um esquecido outonal”
Jogar fora o que se acredita e fingir o belo
Fingir o belo e deleite de si mesmo.
Passei grande tempo da vida
esperando que alguém me dissesse
o que eu tinha que fazer
Era como se deus
inflamasse meu destino
e colocasse
fogo vivo dentro de mim
Uma marionete excêntrica
experimentando todos os gozos
vivia feliz
sem nenhuma dúvida
No meu tempo de menino
era diferente
não precisava saber
o que ia fazer
Estava em fluído bom
vasculhando o tédio
à procura de qualquer bem-estar
Lembro que passava horas
deitado dentro de um buraco
entre dois sofás por que sentia
que eles me abraçavam
encontrava o amor ali.
Já um pouquinho maior
descobri
Os braços dos homens
e das mulheres
Percebi que os homens
não prestam para abraçar
são ásperos e duros,
difícil sentar
como deitar em pedra
Nas mulheres encontrei
o melhor leito
ajustar-se como girassol
sob o corpo suave da mulher
E os cabelos
é um espaço para sonhar
soma e mania de afetos
cafuné
Amortalhar a esperança
de viver o ócio
foi meu único
e verdadeiro erro
Passei tanto tempo
sem abraçar
que meu corpo
começou a criar ferrugens
Meu coração errante
e meu olhar não conseguia
ver alem das armaduras
Aticei fogo e forjei
os meus amores
para que eles
matassem seus impulsos
E me tornei
um terno sóbrio de afazeres
uma máquina sórdida
movida a sombra
preciosista do tédio
A presença deste estranho
me torturou
comecei a perceber
que tinha perdido
meu mestre de infância
Via em mim
um rascunho da beleza
e deslizava em sussurros
de rancor ao dormir
Vozes entravam em mim
deixando-me surdo
estava estrangulado
pelas serpentes
e me picava sedento
O veneno da mente
desejando estrangular
o meu próprio ser
Faze-lo de mentira
faze-lo de nada,
torna-lo um pedaço
de qualquer coisa
impregnado dos outros
entregando-me àqueles
que me desejam
como um objeto de gozo
Deliciei-me
em esquecimento
de mim mesmo
e fui orgasmos
e plenitude
explosões vorazes
pulsações
sem lamuria
um elo
que carcomia
o meu interior
em salitre
Formado de caras, gritos
e olhares de repreensão
por tamanha liberdade
de não ser
ou de ser um adjeto perfeito
O vir-à-ser em potencia
um tornar-se em tudo e todos
uma imitação freqüente
Por isso parei de cantar
Os meus sonhos, esqueci
Encantei-me pelas coisas
Descobri uma função confortável
substituí o amor
e percebi no inanimado
a presença de objeto
Existência sublime
cheia de inércia
e traçada em sentidos
objetos criados, cheios, plenos,
Amortizados por nossos olhos
utensílios que poderiam ou não
serem usados
que se mantinha freqüente
com as possíveis almas
dadas a eles
identifiquei
que há muito não canto
meus sonhos
apenas me encanto
das coisas
E poder viver
de forma inanimada e fiel
ser uma coisa,
uma palavra de agrado,
um gesto bonito
aquilo de me sentir
tão bem com as minhas
entranhas
Vieram alguns olhos
e a busca por me fixar
em uma coisa que agrada
que me deixaria em prantos:
o amor
Daí fui louco
procurar um eu
e satisfazer essa coisa
Vi que o meu encanto
despertara num momento
em que eu não prestava atenção
Comecei a procurar a beleza
eu tinha a mania
de me fazer de esquecido
Mesmo fingindo
não poderia viver
sem este olhar
não poderia viver
como coisa sob seus olhos
E o seu tato precisava
de algo quente
então me fiz de gato,
cachorro, cobra e boi
Me fiz de onça
de cavalo
de sapo e por ultimo de ave
Mas nada
deste olhar beirar
a tensão do amor sobre mim
Fui até onde poderia
cercar meu pensamento
ao nada e desejei
me esquecer para sempre
Me transformei em palavra
e ainda esperei algum olhar
Foi aí que comecei
a lembrar daquela escuridão
que havia antes
de me tornar em coisa
E lá dentro
saí a procura
de umas luzinhas
de umas cigarras
e fonemas esquecidos pela terra
Pude sobrepujar
as minhas lacunas
sussurrando
em meus ouvidos
frases que não existiam
e torna-me sentido
sem manifestar forma.
Por que meu ventre
abarcava as minhas lacunas
e não feriam meu umbigo
e não sentia dor
vontade de busca
de superar nada
Estava objeto
único ser
sobre a felicidade
de ser palavra
algo infinito e invisível
Veio um pequeno choro
Por que eu fui dizer aquelas coisas
então tudo se juntou
em apenas uma frase
e eu voltei ao inicio
Por que eu fui dizer aquelas coisas
Hoje calo, sonho,
hoje sou, nasço
apenas a mão
deslizando no meu ventre
ali perco todas as batalhas
e desligo a memória
Para aprender amar
me tornei em palavra
deixei de ser coisa
e insisto no olhar
que me inspirou estes versos:
Você é um resumido
de vida que devoro.
um projeto de palavra
amor palpável
Lamento, nossos corpos
nunca se tocarão
estamos imersos
em viver de esquecimentos
Somos especialistas
em nos reinventar
fazermos tédio
tornarmos sóbrios
poder amar.
Você é um resumido
de vida que devoro
É minha fome
que nunca acabará.
esperando que alguém me dissesse
o que eu tinha que fazer
Era como se deus
inflamasse meu destino
e colocasse
fogo vivo dentro de mim
Uma marionete excêntrica
experimentando todos os gozos
vivia feliz
sem nenhuma dúvida
No meu tempo de menino
era diferente
não precisava saber
o que ia fazer
Estava em fluído bom
vasculhando o tédio
à procura de qualquer bem-estar
Lembro que passava horas
deitado dentro de um buraco
entre dois sofás por que sentia
que eles me abraçavam
encontrava o amor ali.
Já um pouquinho maior
descobri
Os braços dos homens
e das mulheres
Percebi que os homens
não prestam para abraçar
são ásperos e duros,
difícil sentar
como deitar em pedra
Nas mulheres encontrei
o melhor leito
ajustar-se como girassol
sob o corpo suave da mulher
E os cabelos
é um espaço para sonhar
soma e mania de afetos
cafuné
Amortalhar a esperança
de viver o ócio
foi meu único
e verdadeiro erro
Passei tanto tempo
sem abraçar
que meu corpo
começou a criar ferrugens
Meu coração errante
e meu olhar não conseguia
ver alem das armaduras
Aticei fogo e forjei
os meus amores
para que eles
matassem seus impulsos
E me tornei
um terno sóbrio de afazeres
uma máquina sórdida
movida a sombra
preciosista do tédio
A presença deste estranho
me torturou
comecei a perceber
que tinha perdido
meu mestre de infância
Via em mim
um rascunho da beleza
e deslizava em sussurros
de rancor ao dormir
Vozes entravam em mim
deixando-me surdo
estava estrangulado
pelas serpentes
e me picava sedento
O veneno da mente
desejando estrangular
o meu próprio ser
Faze-lo de mentira
faze-lo de nada,
torna-lo um pedaço
de qualquer coisa
impregnado dos outros
entregando-me àqueles
que me desejam
como um objeto de gozo
Deliciei-me
em esquecimento
de mim mesmo
e fui orgasmos
e plenitude
explosões vorazes
pulsações
sem lamuria
um elo
que carcomia
o meu interior
em salitre
Formado de caras, gritos
e olhares de repreensão
por tamanha liberdade
de não ser
ou de ser um adjeto perfeito
O vir-à-ser em potencia
um tornar-se em tudo e todos
uma imitação freqüente
Por isso parei de cantar
Os meus sonhos, esqueci
Encantei-me pelas coisas
Descobri uma função confortável
substituí o amor
e percebi no inanimado
a presença de objeto
Existência sublime
cheia de inércia
e traçada em sentidos
objetos criados, cheios, plenos,
Amortizados por nossos olhos
utensílios que poderiam ou não
serem usados
que se mantinha freqüente
com as possíveis almas
dadas a eles
identifiquei
que há muito não canto
meus sonhos
apenas me encanto
das coisas
E poder viver
de forma inanimada e fiel
ser uma coisa,
uma palavra de agrado,
um gesto bonito
aquilo de me sentir
tão bem com as minhas
entranhas
Vieram alguns olhos
e a busca por me fixar
em uma coisa que agrada
que me deixaria em prantos:
o amor
Daí fui louco
procurar um eu
e satisfazer essa coisa
Vi que o meu encanto
despertara num momento
em que eu não prestava atenção
Comecei a procurar a beleza
eu tinha a mania
de me fazer de esquecido
Mesmo fingindo
não poderia viver
sem este olhar
não poderia viver
como coisa sob seus olhos
E o seu tato precisava
de algo quente
então me fiz de gato,
cachorro, cobra e boi
Me fiz de onça
de cavalo
de sapo e por ultimo de ave
Mas nada
deste olhar beirar
a tensão do amor sobre mim
Fui até onde poderia
cercar meu pensamento
ao nada e desejei
me esquecer para sempre
Me transformei em palavra
e ainda esperei algum olhar
Foi aí que comecei
a lembrar daquela escuridão
que havia antes
de me tornar em coisa
E lá dentro
saí a procura
de umas luzinhas
de umas cigarras
e fonemas esquecidos pela terra
Pude sobrepujar
as minhas lacunas
sussurrando
em meus ouvidos
frases que não existiam
e torna-me sentido
sem manifestar forma.
Por que meu ventre
abarcava as minhas lacunas
e não feriam meu umbigo
e não sentia dor
vontade de busca
de superar nada
Estava objeto
único ser
sobre a felicidade
de ser palavra
algo infinito e invisível
Veio um pequeno choro
Por que eu fui dizer aquelas coisas
então tudo se juntou
em apenas uma frase
e eu voltei ao inicio
Por que eu fui dizer aquelas coisas
Hoje calo, sonho,
hoje sou, nasço
apenas a mão
deslizando no meu ventre
ali perco todas as batalhas
e desligo a memória
Para aprender amar
me tornei em palavra
deixei de ser coisa
e insisto no olhar
que me inspirou estes versos:
Você é um resumido
de vida que devoro.
um projeto de palavra
amor palpável
Lamento, nossos corpos
nunca se tocarão
estamos imersos
em viver de esquecimentos
Somos especialistas
em nos reinventar
fazermos tédio
tornarmos sóbrios
poder amar.
Você é um resumido
de vida que devoro
É minha fome
que nunca acabará.
Minha sacada dá para um rua de pedra.
Ai como é bom acordar
Hoje, por exemplo,
não tenho condição de amar
mais do que pretendo.
Mas, quanto me esforço
para que isso aconteça?
Por isso não minto
que as vezes a vida me faz tédio
Contudo, meus dias ao caminho
são bastante alegres e memoráveis
e tem tardes que ainda sobram para o mar
.
Da minha felicidade,
apenas os sonhos que não fazem parte
tornam-me como aqueles pássaros
de garras e bicos enormes.
Todo mundo sabe
que bom mesmo é passarinho.
e estou mesmo satisfeito
com esse dia que se desloca
Minha sacada dá para uma rua de pedra.
Mesmo com os tropeços, amanheço.
Não me preocupo de ficar surdo
Contanto que eu lembre das sonatas de Bach
A facilidade com que reconstruímos os sonhos
parece a mesma que curamos as nossas feridas
de onde vem o sonhador, pergunto
de longe, de muito longe
me responde em voz de estrela
um sorriso qualquer de criança
que é por ser qualquer mesmo
mora ali um brilho incomum
indecifrável, meu Deus!
Por isso não me preocupo de ficar surdo
Ainda haverá muito que sentir
Contanto que me lembre das sonatas de Bach
E sem demora, a cada instante vou ficando velho.
Quanto mais pesar
me trás a memória
amargo as minhas entranhas
Voltarei para te ver
se não me ruboriza a face
em meio às tentações
Todo o meio absorto
Todo corpo forrado
Faz a minha paixão débil
Atolada num sufrágio
Empurrei as tuas saudades
para o colo de outra
E mantenho cedo nossos dias
Acordando ao sol dos homens
Me fazendo de carinho e vento
Como nuvens sou um ninho
Temporário a peregrinar
E serei mais um caminho
O quanto o sentimento durar
Deixar-se ser constante
Vôo sobre o dorso de um dragão
Aprecio as palavras do vento
E moldo-me a medida certa
Um tempo para cada paixão
me trás a memória
amargo as minhas entranhas
Voltarei para te ver
se não me ruboriza a face
em meio às tentações
Todo o meio absorto
Todo corpo forrado
Faz a minha paixão débil
Atolada num sufrágio
Empurrei as tuas saudades
para o colo de outra
E mantenho cedo nossos dias
Acordando ao sol dos homens
Me fazendo de carinho e vento
Como nuvens sou um ninho
Temporário a peregrinar
E serei mais um caminho
O quanto o sentimento durar
Deixar-se ser constante
Vôo sobre o dorso de um dragão
Aprecio as palavras do vento
E moldo-me a medida certa
Um tempo para cada paixão
Talvez eu amanheça
em sombra da palmeira
e desvaneça de uma vez
A minha candura
é seguir pleno
sob o mar de ondas sonoras
Pois eu vi o céu brilhar
quando o traço do sobrado
nos rogou a memória
Arranco tuas vestes
e supremo sol te desfigura
com a tormenta do agora.
Os alicerces deste mundo
é a sensação pulsante
do desejo sobre mim.
Vozes e vozes ouço
quando disfarço a fome.
Dor e formas isoladas
Não apenas vozes,
mas o cheiro bom
o perfume das vozes.
Do ego de um sonhador
de um acorrentado
posso calar-me
em sombra da palmeira
e desvaneça de uma vez
A minha candura
é seguir pleno
sob o mar de ondas sonoras
Pois eu vi o céu brilhar
quando o traço do sobrado
nos rogou a memória
Arranco tuas vestes
e supremo sol te desfigura
com a tormenta do agora.
Os alicerces deste mundo
é a sensação pulsante
do desejo sobre mim.
Vozes e vozes ouço
quando disfarço a fome.
Dor e formas isoladas
Não apenas vozes,
mas o cheiro bom
o perfume das vozes.
Do ego de um sonhador
de um acorrentado
posso calar-me
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Paulo Tiago dos Santos
Nascido em Vitória da Conquista, "carrega água na peneira" desde pequeno, de 1900 e... esqueci...