mais uma vez
como a primeira e última
me encontro como se sonhasse

como quem festeja as alvoradas!

Estou meio pálido até
com este frio que atormenta
me voltam à memória os poemas

poetas lânguidos, com suas unhas pintadas
poetas malditos e outros queridos
dá saudade dos poemas

e a ansiedade por vivê-la
amante da palavra-transparência
lá donde a palavra começa

muitas faces hão de clamar
terremotos e conchas no mar
não quero dizer mais do que posso

mas, terremotos e conchas do mar
parecem fazer parte do mesmo confronto
porisso, volto a ofertar

pois, agora saquei a parceria dos elos
agora pude ver que palavra-elo
não começa nem termina

explode-palavra
foco de minhas saudades-palavra
coisa morta, hora, amplitude do ser

quero chegar a dizer meus poemas
nos ouvidos das cadelas
como afronta.

daquilo que todo poema é feito
reparti-lo entre os homens
de bom coração

apenas embelezar - o poente - não basta
é preciso senti-lo, por que deixa de ser poente
e se torna contente, risos, ação

quando, soltas as pontas
do que não suporto falar
a repetição, quebra o pote da vida e atiça

a fronte de olhos envenenados
abominável, que transita entre os dentes
daquilo que nem toda palavra é feita

cruza os corpos dos intolerantes
avança as armadilhas do cão
“hora viva e arreviva”

este matráquil, devastador das matas
silêncio nestas horas, nestas horas
é preciso silêncio, nada mais.

e a mentira escapa...

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Paulo Tiago dos Santos

Nascido em Vitória da Conquista, "carrega água na peneira" desde pequeno, de 1900 e... esqueci...

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