É um tropeço ao desencontro
sobe em minhas bochechas
a quentura de um rosado fino
e sopra as perdições
dos sentimentos mais temíveis

Como eu sou um sonhador
amotinado casulo em revolução
um bater de asas em fileiras de vento
posso perder-me em ti
por apenas me fazer de intempestivo

Purificar as minhas aspirações
dum poema belo
eu corro o gozo da palavra
transformo em selo fantasmagórico
os meus dilemas
não me desconheço
deste penar sofrível
a imagem mais besta
que posso fazer de mim mesmo

Quem pode senão permitir
as passagens enlouquecidas
para o que se transforma em tensões
em desoriente, em passaredo
um vasculhar mesmo meus terríveis
e tirar de mim a impaciência
de dizer asneiras, a agonia
de ter um demônio impregnado
de preparações e voador

Nossos elos são separados
por quem desespera
as ansiedades de temer
e teme mesmo e destina
os primeiros pesares para todos em volta
e se intromete em qualquer conversa
e pensa que pensa,
e deixa as memórias corroer a dor
e transforma o pior desolado em herói
em passado traçado de vespa

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Paulo Tiago dos Santos

Nascido em Vitória da Conquista, "carrega água na peneira" desde pequeno, de 1900 e... esqueci...

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