Quando um mar de intransigência afunda-se na alma
O poente se torna só mais um dia,
a velha se recolhe e espera o inverno chegar
No saber da flora
O mato cresce
E nunca se atola
Cresce e desenrola
Onde a casa cora
A tinta amarela quebra
E a casa se torna
um ninho por que
assim quer o mato
o mato só quer crescer
nada mais o mato quer.
Como se as vitórias precedessem a liberdade,
pelo que a fronte do homem subverte aos males.
Fez-se poço luz avançada na morte,
onde as primeiras partículas se fizeram.
Onde nossos ombros não findam,
onde não cruzamos os braços e nem arrepiamos.

Você obscuridade, o que me diz destas cidades,
destes homens, destes solos em que pisam,
você prosperidade é para mim
uma cristalina aparição falsa e vaga,
meu pisar espinha as selvas,
as vasilhas, as vozes e canções.

Aquele que me diz o que tenho que fazer.
Você me diz que tento esquecer suas canções,
são nossas afinações, nossos dissabores,
a voz imaculada que sai de mim
e me transforma em um pequeno homem frágil,
um pequeno sonhador, um pequenino de aparição.

Você amanhã, só você,
não há nada que possa guardar
que me mostre a face da felicidade
todas as derrotas dos homens servem
à vontade de uma outro homem
que entrega sua ação
num vasilhame impregnado de querer,
somos vozes antes de tudo, puras, finas vozes.
Antes de tudo somos vozes.

Paulo Tiago dos Santos

Nascido em Vitória da Conquista, "carrega água na peneira" desde pequeno, de 1900 e... esqueci...

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