As minúcias das amigas
ouvidos não calam
bocas e batons
sorriem do alegre

As amigas meninas
trombam cotovelos
tontos abobalhados
alegria das amigas, sorrir

A amiga de alegria
põe uma veste
doura pele de cetim
têmpera de olhos fulgentes

Moça corada carmim
diligente, topa a louça
compõe conselho de gestos
alegria das amigas, sorrir

Tolho o beijo e teus olhos me arrefecem
absorvem o que figura, vozes, passageiros
Para o desalento que me corre
Vejo que não tenho compromisso
As minhas serenidades me matam
E o que me faz vivo,
são ao menos estes descansos
morenos, a vontade de lutar
veleidades que me importunam
meus avós voltaram
para o que não me deixa
posto em chamas
Quanta vontade de mudar
É um tropeço ao desencontro
sobe em minhas bochechas
a quentura de um rosado fino
e sopra as perdições
dos sentimentos mais temíveis

Como eu sou um sonhador
amotinado casulo em revolução
um bater de asas em fileiras de vento
posso perder-me em ti
por apenas me fazer de intempestivo

Purificar as minhas aspirações
dum poema belo
eu corro o gozo da palavra
transformo em selo fantasmagórico
os meus dilemas
não me desconheço
deste penar sofrível
a imagem mais besta
que posso fazer de mim mesmo

Quem pode senão permitir
as passagens enlouquecidas
para o que se transforma em tensões
em desoriente, em passaredo
um vasculhar mesmo meus terríveis
e tirar de mim a impaciência
de dizer asneiras, a agonia
de ter um demônio impregnado
de preparações e voador

Nossos elos são separados
por quem desespera
as ansiedades de temer
e teme mesmo e destina
os primeiros pesares para todos em volta
e se intromete em qualquer conversa
e pensa que pensa,
e deixa as memórias corroer a dor
e transforma o pior desolado em herói
em passado traçado de vespa
Por que não umas palavras
para dizer um pouquinho do viver
da música e do vinho
para iludir-me numa realidade tão imediata
e deliciosa, para fazer romper em meu ouvido
frases, enunciados, como o eu te amo
para florir-me e adoçar-me com estes versos
e saborear um tanto o sonho pisado no chão
e se posso, no espaço deste poema
inflamar com meu gesto, em teus cabelos
um piscar discreto, tomar as suas mãos
e sem nada dizer, apaixonar-me
posso terminar assim...

da palavra, escapa o tempo
e transborda toda a vida
sobra avessos e significações
prende pelas bordas os delírios
e todo verso implica um coração
Em minha pele há marcas
pequenas cicatrizes e feridas
que meus pés sabem contar melhor do que eu
e os olhos que me vêem lascivamente

em mim há o sacerdócio
dos tempos e das constelações
quando um pequeno caco
divide a fortaleza, toda parede rui

meus amores, quero-os todos
como uma porcelana singela
como uma vaso cheio de perolas
como uma almofada e um anel

Donde meus dedos merecem a jóia
eu não os aponto à desilusão
avanço sobre sua face carinhosa
e a pele é uma vitória da forma
Vence a vida no varal
esticada no tempo
no ar de nossas agonias
o vento sopra um lamento
nosso suspiro é profundo
mas, como quem sucumbi
no peito um afago divino
caminha a frente do abismo
e olha para o fundo
o suspiro volta
forma uma alucinação
o breu deserta na fecundidade
alia-se ao eterno,
fonte de vertigens
os olhos de minha amada
Fui buscar no lixo a amargura que me envolve
Torno a vociferar minhas lamurias
Como sombra num deserto sem fim
Meus principais receios e cóleras
são os que, cotidianamente
hora os veja plainando
sobre meus ombros
como quem avança na imensidão do abismo...
Fui buscar no lixo a amargura que me envolve
Torno a vociferar minhas lamurias
Como sombra num deserto sem fim
Meus principais receios e cóleras
são os que, cotidianamente
hora os veja plainando
sobre meus ombros
como quem avança na imensidão do abismo...
Os ventos me trazem a fresca
Os ventos de todos os meses
Cada tempo tempera seu vento
E sopra como um cortejo a tez

Meus antepassados, minhas honras
Glorias!? tantas insanidades...
vejo urrar em meu ouvido moco
todo roto, a miragem do meu oco

Centelhas e perdões lhe peço
tateando seus cachos em vão
meu segredo postiço não há de morrer
sem chegar ao seu ouvido

Dúvidas, desejos, dores
Um dado lançado num colchão
dois armistícios que vagam
cansado tropeço neste chão

do meu afinco, correm de mim as esperanças
os delírios do meio dia, do amanhã
da calça jeans que carrega a função
descalço sobre o solo febril do amor

Paulo Tiago dos Santos

Nascido em Vitória da Conquista, "carrega água na peneira" desde pequeno, de 1900 e... esqueci...

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