somente as alegrias
arreviva santidade
o que arde, arde
nunca que o tormento passa
e quando as horas se reportam
ave, é outro vento que troça
as correlações dos encalços
as prateleiras tortas
prontas a ruir
trapaças vislumbram o fim
ave, sentimentos não posam
soam na vastidão dos nós
um arrebol de corpos
avalanche destes cabedais
que me puxam, que me fisgam
você é a saída do mar
é um rumor
a espuma que desfaz em mim
serena, vejo teus olhos
minha pequena
não te esqueço
qual pergaminho e a pena
é só teu este poema
Minha solidão
redunda
lacuna dos pontilhados
como que dança entre um ser e não ser
tomba no afeto e desafeto
vasculha, as efemeridades
e saciada volta-se
é necessário dizer para si
o que carrega

Tropeça e levanta
ama
confessa para os azulejos
o vesgo dos meus olhos
que relança
trança
e refrega as misericórdias
nos meus calcanhares
arde
e a saudade que te alcança
é uma vontade de te ver que me sai

A solidão fica
meu passo cansado se despede dos azulejos
e somente caminha
em silêncio
com o cuidado do só
do medo
com o cuidado do ímpeto
do tino lírio que invoca
um assobio
o rufar de meus pulmões
e teus olhos que se projetam
em meu infinito

Paulo Tiago dos Santos

Nascido em Vitória da Conquista, "carrega água na peneira" desde pequeno, de 1900 e... esqueci...

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