Perfume
Marilias
Marias
Maras
Mirras
Solidão
As persianas recortam a luz
No meu quarto, no vazio do meu quarto
A escuridão não prospera
Uma tênue ferrugem arranha minha pele
E há, ademais, um salitre fino, que me comove
Algumas cestas cheias de vento
E vasilhames com água límpida e boa de beber
Uma esteira para dormir direito
E um pezim de fruta e um de frô
Rosinha nunca que vem
mas, me conforto em rabiscar
riscado do universo inteiro
Em tremedeiras e oscilações
um levante de estrelas converte
cada pedaço em azul
e não tenho outra opção
a não ser sair pro quintal
e olhar o céu
No meu quarto, no vazio do meu quarto
A escuridão não prospera
Uma tênue ferrugem arranha minha pele
E há, ademais, um salitre fino, que me comove
Algumas cestas cheias de vento
E vasilhames com água límpida e boa de beber
Uma esteira para dormir direito
E um pezim de fruta e um de frô
Rosinha nunca que vem
mas, me conforto em rabiscar
riscado do universo inteiro
Em tremedeiras e oscilações
um levante de estrelas converte
cada pedaço em azul
e não tenho outra opção
a não ser sair pro quintal
e olhar o céu
Todo trajeto aponta para o nada
o tempo vasculhante pelas alvoradas, sorrir
nossos infantes crescem os dedos
e o homem tenta se eternizar pelos poemas
pelos poentes, pelos chãos, pelos grãos
tudo, sobre efeito, lacrima uma pequena constelação
e dizem por aí que a história acabou
como se a história realmente existisse
e enquanto o homem não se toca
que falta-lhe imaginação
o mundo perdura
o tempo vasculhante pelas alvoradas, sorrir
nossos infantes crescem os dedos
e o homem tenta se eternizar pelos poemas
pelos poentes, pelos chãos, pelos grãos
tudo, sobre efeito, lacrima uma pequena constelação
e dizem por aí que a história acabou
como se a história realmente existisse
e enquanto o homem não se toca
que falta-lhe imaginação
o mundo perdura
Hoje sonhei com Milton Nascimento
Ah, mil desditas com os mortais
Deus sereno e a morte certa
e sonho com Milton Nascimento
Ensaiavam seu Show, eu público
Ele ao meu lado, pedia minha mão
Beijava, eu beijava. Cantava:
“Quem não é sincero, sai da brincadeira
Que pode se queimar!”
Daí um anjo forte e negro veio e disse:
Vai Paulo... tropeça, tropeça, mas caminha
Ah, mil desditas com os mortais
Deus sereno e a morte certa
e sonho com Milton Nascimento
Ensaiavam seu Show, eu público
Ele ao meu lado, pedia minha mão
Beijava, eu beijava. Cantava:
“Quem não é sincero, sai da brincadeira
Que pode se queimar!”
Daí um anjo forte e negro veio e disse:
Vai Paulo... tropeça, tropeça, mas caminha
Diante as passagens da alvorada
um sonho leve se inclina para o monte
onde o nada se encontra, onde foge o mundo
por onde lançam as apreensões do universo
Sonho amante em vasculhar os elos
aparente compreensão das coisas
ao movimento, tormento que sublima
o que nos aproxima em palavra
Como é possível entregar ao poema
as verdades, e só delas fazer o poema
o poema ficaria triste
como folhas apagadas em frontes de sol
como corredeiras que derramam seivas duras
e vasos prontos de barro e metal
que nunca despejam
Avante as alvoradas, pomares
dores, a tua mão sobre meu ombro
avanço, nada mais que teu olhar, teus beijos
e voltar a se enganar com o amanhã
Seriamente, os desejos, as vozes
me deixam como cego derretido em cosmo
Vamos dançar, vamos tocar
nossos pés e mãos no chão
como quem ama a terra,
como quem faz o favor de fazê-la bela
um sonho leve se inclina para o monte
onde o nada se encontra, onde foge o mundo
por onde lançam as apreensões do universo
Sonho amante em vasculhar os elos
aparente compreensão das coisas
ao movimento, tormento que sublima
o que nos aproxima em palavra
Como é possível entregar ao poema
as verdades, e só delas fazer o poema
o poema ficaria triste
como folhas apagadas em frontes de sol
como corredeiras que derramam seivas duras
e vasos prontos de barro e metal
que nunca despejam
Avante as alvoradas, pomares
dores, a tua mão sobre meu ombro
avanço, nada mais que teu olhar, teus beijos
e voltar a se enganar com o amanhã
Seriamente, os desejos, as vozes
me deixam como cego derretido em cosmo
Vamos dançar, vamos tocar
nossos pés e mãos no chão
como quem ama a terra,
como quem faz o favor de fazê-la bela
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Paulo Tiago dos Santos
Nascido em Vitória da Conquista, "carrega água na peneira" desde pequeno, de 1900 e... esqueci...