Às vezes estamos sós
Passa o cansaço do dias
As primeiras e últimas coisas a desejar
Todo sentimento do mundo
E mesmo assim estamos sós
A primeira coisa a ser feita é falar
E uma leve sensação de fraternidade
Começa existir
Através da palavra reconhecemos o que é humano
A palavra é o substrato do que é verdadeiramente humano em nós
Do que de fato nos destaca do orgânico
A ponte mais segura ao espírito
É o domínio do puramente sensível
Do puramente racional
Mas não do puramente movimento
Aproxima-se disso, o estilo
E o que é puramente corpo se esvai,
ao dourar com a palavra
e concatenar os mais variados sentidos
Uma palavra lançada instaura no real
uma verdade,
existente em nosso espírito,
reverbera
e sua memória, um padrão de freqüências compatível
ativa infinitas possibilidades, ao que lhe cambia
Saudade, não tão difícil de explicar
Um suspiro, um arfa de ausência, uma falta que se faz presente,
uma lembrança desejada, um cheiro, uma musica que desloca o real
ou, “a saudade que te alcança: é uma vontade de te ver que me sai”
em mim não há nenhuma solidão
apenas a esperança de beijar os seus amansados olhos
para isso não há definição que basta
sentir é uma exasperação sem palavras
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