Canção do Instante
A água séria da vontade
extravasa o homem
de serenidade
Quando a alma é linda
e o instante é puro
um porém,
Com suas notas
inflamadas de medo
duma desdita passageira
o que fica é o segredo
que degenera
com a distância minha
Sobretudo as desordens
do pesadelo
causado pela fome
repetida
o que é interno
não tem despedida
mas, o que é de fora
luta de forma aguerrida
com a fadiga
de outrora tempo
O homem encontra
em seu invento
um espelho sujo
do que quer contar
deixando os pés
se atolarem fundo
em sua memória
de querer lembrar
do que já é morto
e não sobrevive,
pois, das ações
de que nunca se redime
ao conselho sujo
do que foi sua vida
que de nada mais
se pode esperar
E ainda, antes,
que o instante exista,
ele tenta, então,
se refazer da sorte
e essa, que em seu seio existe
também faz da morte
o seu pleno espasmo
de um correr pra sorte
que não tem espaço
Entram-lhe os sonhos tolos
e passam por baixo
elimina a sorte
e sorrateiro lastro
da sua alma moribunda
de matar carrascos
Em que a vida é funda
onde nada cria
tudo se consuma
com um sangue frio
de uma ave má
que plana a plantação
e de nunca crescerem,
nem regadas são
vive o pobre tolo a reclamar
da sua triste sina
do não ser criar
E de tudo fome
se fazer seu ser
onde tudo esconde
o medo de morrer
de onde não se pode
nunca arrefecer
deste mal profundo
que ninguém extirpa
pois que vida é sumo
deste mel de tripas
que o homem esconde
para não comer
Mas que sozinho degenera
Em sua boca o poder
Que não mais a vida
que deveras sobre ele
sempre a falta
e de nada vive
pois, que a morte funda
atracou-se a alma
que se não é profunda
o seu medo cala
na primeira tumba
que se soerguer
Antes mesmo
deste ser medonho
lhe inflamar a cara
com seu desrespeito
tomar-lhe a calma
como um desespero
tire dele a arma
que lhe faz sofrer
que se o instante existe
esse sobrevive mesmo
antes de tornar-lhe morte
torna toda a vida
lhe fazer a sorte
que essa é feita pra viver.
Quando se depara
com a sorte grande
Este ser infante
se transforma em tédio
e terrível chora
sem saber de antes
e o seu dedo indica
quando a morte lambe
e o seu corpo sofre
o instante incerto.
As metáforas que guardei
pra minha morte
só eternizam
a saudade que já sinto
Pois que viva e
as sensações do espírito
que se elimina
quando cai o pote
Entre estadas e brincantes
sai a ilusão da morte
que se essa fica
tudo é despedida
Entre tantas barcas
se afundou a vida
essa que não pode
ser eterna morte
Pois a vida, com
toda a sua aparência
se assemelha muito
com essa despedida
Que de nada esconde
e que certa espirra
meio as sensações
de quem não cai na sorte
Entre tantas louras
sensações de morte
a que me acompanha
tento por a parte
Mas se me estranho
levo ao seu extremo
Que o saber da carne
não se cala em partes
De grito solto
entre tantas vidas
nós fôramos mortos
e se intensifica
se não se despoja
com que se elimina
desta podre parte
que não se elimina
Antes ser fatal
e encarar o sal
que gozar no doce
num eternamente
essa palavra, ela repartida
lhe dirá freqüente
Éter na mente
E se tua saudade,
ou angustia vã
não lhe obedece,
tenha muita campa
é bicho que anda nos campos
procurando veste
que lhe cubra a liberdade
e se convalesce
fica então na sombra
e não se esquece
do nascer do sol
de um dia bom
do feio crepúsculo
de um incomodo vão.
A mesma seriedade
que se faz a sorte
é destas maldades
que destrói a vida
E inflama a morte
sem a despedida
Aquela morte vulgar
que só nos irrita
E não faz mais nada,
não se aglutina
Pois é triste o fim
de quem não se anima
e se põem na sorte
de viver a morte
pra sentir a vida.
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