Caminha, continua...
Louco sobre o deserto feliz
proclama em seus passos
as vertigens do continuo
sempre deslizar sobre toda a vida
e flanar horizontes
Parecia que o intermédio que levaria
ao ser aplacado, ao prazer e a força
Estaria inalteradamente unificado,
todas as garras lhe preenchiam o peito
e também as melhores plumas,
soltas e vistas em apuros pelo vento
Eram muitos passos, não fazia idéia
Eram tantos passos, cau, terra, areia, pedra
tinha acariciado o chão por léguas
O sol cruzando aos olhos, o dia distante
Onde naufragamos, ele permanece
incomensurável espectador
ou ainda, este refletor impávido da existência
torpe, traspassando incansável abismo
Ah, venturas de todos os corpos
o que transita pelo seu olhar, vibrações
teu olhar, beija-flor da minha alma
Anoitece, ele sentou
amansou o palitó, bateu a poeira da calça
Digno, teso ao maleável, fitou o cair da tarde
colocando-se sobremaneira sobre aquelas planícies
Seu olha aquilino podia alcançar as favas das ondas
perdia-se num retumbar de vibração
Toda planície repercutia
o vento balançava seu cabelo,
imensidão às suas costas
imensidão a frente
mais uma vez, como uma primeira e última
perfazia nenhum anseio,
ele continuaria lá
Como melhor cantou Maiakovski
"Tu pedaço de vagabundo!"
Por pouco lhe caiam as vertigens
E pousava em terra
Por pouco seu coração rememora
Não respirou pausadamente
Não soou as mãos
Mas o sol, ele que não vai desistir...
Já demos a volta ao sol
O poeta amarga toda a placidez
Verte as canduras em pranto
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