Amanhece sobre a febril
sombra do pomar

Ela não rejeita meus afagos
sonha com os coqueirais
e deixa seus olhos tornarem-se
pequenas sementes
Ferve a sua pele
assim como salpica seus poros
e os meus dedos procuram entender

O seu olhar me foge
O seu olhar me conduz
Não poderia deixar de me manter avesso
as partidas que eles soletram
a tua face me deixa inseguro
beleza que me escapa

Com a leve mão em teu queixo
quero segredos
não me lembro desta vertigem
que vivo parnaso, um coração tristonho

Você não tem atenção, alcança uma fruta
e delicadamente, a seiva tomada por seus lábios
aperto vesgo sobre meus ais
tamanha pureza para meus pensamentos

O horizonte minha casa
minha fuga

Não me lembro qual foi a ultima vez
que fiz assim o tempo parar para o meu temor

Ela se levanta
Vai colher flores
Queria adormecer
O sol crava o meio dia

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Paulo Tiago dos Santos

Nascido em Vitória da Conquista, "carrega água na peneira" desde pequeno, de 1900 e... esqueci...

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