Tanto tempo vivi
Solfejo as amendoeiras na infância
Transpasso a promessa de um desejo
Marílias foram minha amigas
Paridas, quando em zelo minhas mãos
suas faces alvejavam as tardes, Marissas
Bom vejo, quem me pergunta
Estou bonitinha? Suas tranças embutidas
foram o maior encanto que vi, fascinava
Ah, daí a estar correndo pelos matos
Cantando um sabor de estrada, apresentar
Os bailados do palco e as madrugadas de cenários
Tudo ali tinha borro de mofo, tudo cheirava carmim
Amanhecia na estação e via pombos, meninos
Sentia que trazia alegria, as cidades perdidas de chão
Tudo dava um filme. As rodas do caminhão, as loucas
Os bordões do vendedor, as cantigas e olhos
Todos os olhos que o mundo me anima, a fumigação
um tempo de estrelas no asfalto,
um cancioneiro e uma bailarina,
sua comitiva e três estórias de então...
Nenhum comentário:
Postar um comentário