Tanto tempo vivi
Solfejo as amendoeiras na infância
Transpasso a promessa de um desejo

Marílias foram minha amigas
Paridas, quando em zelo minhas mãos
suas faces alvejavam as tardes, Marissas

Bom vejo, quem me pergunta
Estou bonitinha? Suas tranças embutidas
foram o maior encanto que vi, fascinava

Ah, daí a estar correndo pelos matos
Cantando um sabor de estrada, apresentar
Os bailados do palco e as madrugadas de cenários

Tudo ali tinha borro de mofo, tudo cheirava carmim
Amanhecia na estação e via pombos, meninos
Sentia que trazia alegria, as cidades perdidas de chão

Tudo dava um filme. As rodas do caminhão, as loucas
Os bordões do vendedor, as cantigas e olhos
Todos os olhos que o mundo me anima, a fumigação

um tempo de estrelas no asfalto,
um cancioneiro e uma bailarina,
sua comitiva e três estórias de então...

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Paulo Tiago dos Santos

Nascido em Vitória da Conquista, "carrega água na peneira" desde pequeno, de 1900 e... esqueci...

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