Ainda tarda as avemarias
Volto a repetir!

Vacilante, afora o mundo de trevas
me entrego às constelações

Disseram que tinha um dia só meu
E sempre me assustei com isso

Esse poema é de hoje
Um poema que se acaba como sol poente

Amargando o silencio, a dor
As contingências do dia solitário

Não haveria de tentar o amanhã
Vago e solto como soletrar

As massas de sentidos adversas
Não contaria a memória do ermo

Poderia cantar meus amores
Olhozinhos, vãos amores meus

Gabar-me de aventuras
Despejar meu ímpeto de Zorro

Ou ser aquele que tomava sol
Erguido ao vento em silêncio

E minha mãe gritava de lá
E eu não escutava de cá,

Imaginava, o sol vertia fogo
Meus pensamentos avermelhavam

Uma camada nebulosa de vermelho
Fazia campo para um sonhar vago, aéreo

Foram instantes preciosos
Idéias jogadas assim ó, pelo chão

Como moscas varejeiras
Como papel de bala e cordão

fim

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Paulo Tiago dos Santos

Nascido em Vitória da Conquista, "carrega água na peneira" desde pequeno, de 1900 e... esqueci...

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