Ainda tarda as avemarias
Volto a repetir!
Vacilante, afora o mundo de trevas
me entrego às constelações
Disseram que tinha um dia só meu
E sempre me assustei com isso
Esse poema é de hoje
Um poema que se acaba como sol poente
Amargando o silencio, a dor
As contingências do dia solitário
Não haveria de tentar o amanhã
Vago e solto como soletrar
As massas de sentidos adversas
Não contaria a memória do ermo
Poderia cantar meus amores
Olhozinhos, vãos amores meus
Gabar-me de aventuras
Despejar meu ímpeto de Zorro
Ou ser aquele que tomava sol
Erguido ao vento em silêncio
E minha mãe gritava de lá
E eu não escutava de cá,
Imaginava, o sol vertia fogo
Meus pensamentos avermelhavam
Uma camada nebulosa de vermelho
Fazia campo para um sonhar vago, aéreo
Foram instantes preciosos
Idéias jogadas assim ó, pelo chão
Como moscas varejeiras
Como papel de bala e cordão
fim
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