Testemunhas propagaram formas e sermões
Com seus pés colados num determinado tempo
Colossais, fizeram as mais torpes ilusões
Como forças amotinaram corpos e restos nos salões
As danças das igualdades, as vertigens do mal
E tantas fabulas, quanto as constelações
Já amainaram, morreram e forçaram os deuses a outra morada
Misturaram vacinas à bibelôs, cortaram as arvores e fizeram moradas
Impregnaram o ar de soluções viscerais
E repensaram seus começos
De um ar solene vomitaram asneiras que se perpetuaram por séculos
Desmediram fronteiras e reconheceram ruas
Novas ruas e pontes foram feitas
Somente para realezas
Homens oriundos de Deus
Com seus chapéus de ouro e seus mantos significativos
E uma ira no olhar o mundo
Egos que fizeram barreiras e forjaram em sangue
O transpassar das nações
Redesenhando a trilha dos homens
Em busca de tesouros e fontes alem
Até o fim do mar, na penumbra dos crepúsculos
Uma esperança singela de conquistar o mundo
Provocando fome em escravos e revolta em reis
Forçando os trabalhadores e soldados à fome e a penar
Por uma obra que exauri das possibilidades do infinito
O que poderia ser construído com uma frase
Ainda, um gesto, um beijo
Eles sonhavam como avançam os sonhos
Eles pensavam em ti e em mim
E éramos um tropo da ternura
Não nos conformamos e entramos a marcar o universo de nossa existência com qualquer objeto que pudesse nos fazer lembrados...
Que pudesse nos fazer dignos de sermos lembrados
Uma prostituta que deseja o amor, depois da cama encardida pelo esperma alheio
Um vendeiro que deseja doar sua mercadoria aos pobres
Um vacilo que nos obriga ao arrependimento
Uma culpa lastimosa que nos permite a desordem e que nos religa ao outro
Uma palavra que nos ressoa como continência
E no final, nenhum descanso...
A agonia perpetua
Uma tristeza fina e lisonjeira
A vontade de um café e todo silêncio do mundo
Mais um cigarro e nenhuma lamentação
O abuso da atenção alheia
Ou um passo certeiro para o que damos esse nome, amor
O mais solitário de todos
O que se convalesce com as estrelas
E supera-se num abraço quente antes de dormir
Dizer o que...
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