Minha solidão
redunda
lacuna dos pontilhados
como que dança entre um ser e não ser
tomba no afeto e desafeto
vasculha, as efemeridades
e saciada volta-se
é necessário dizer para si
o que carrega

Tropeça e levanta
ama
confessa para os azulejos
o vesgo dos meus olhos
que relança
trança
e refrega as misericórdias
nos meus calcanhares
arde
e a saudade que te alcança
é uma vontade de te ver que me sai

A solidão fica
meu passo cansado se despede dos azulejos
e somente caminha
em silêncio
com o cuidado do só
do medo
com o cuidado do ímpeto
do tino lírio que invoca
um assobio
o rufar de meus pulmões
e teus olhos que se projetam
em meu infinito

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Paulo Tiago dos Santos

Nascido em Vitória da Conquista, "carrega água na peneira" desde pequeno, de 1900 e... esqueci...

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