Brincando de Manuel


Para fazer uma ciência das abelhas
É preciso entender de sentimento
Cada um tem um cheiro, uma cor e um começo
Geralmente, os que tem asas percebem melhor
Pois estão no alto distinguindo a massa tênue do desejo
No final trataremos da questão do tempo
Pois bem, sobre a camada densa estamos imersos
Pode-se comparar o estado mais natural da linguagem à bosta
Aquilo que volta à terra e empresta o tino ao vegetal e aos vermes
Surgiu assim, como tudo o mais tem seu quê de fedorento
Dos ancestrais ao vento, do átomo de um ao átomo de outro
que se entendam como bem queiram, criativamente
que se diga...
Dessas imemoriais aglutinações gozamos um belo corpo
Um polegar e um pé chato, e um monte de coisas
Também com seu valor e vontade, como as maçãs por exemplo
Belas e ternas, doces e suaves, vermelhas, verdes
Grãos, macias, adoráveis e tão mau compreendidas
Uma confusão nasce a cada palavra, que delas surge um conceito,
uma imagem e mil lorotas... depois disso,
dessa doença chamada palavra, há muito que deixou de existir o momento
esse ficou sendo algo do porvir, ou mesmo, um alem mundo...
pois... que do monstruoso e natural, a vida orgânica tudo deseja engolir
é a sua plenitude... aceitemos... a terra que gira sobre si mesma...
Mas, voltemos à palavra, este bichinho ilusório
ponte de lembranças, de memórias e inexatidões
esse objeto que comporta o mundo
este filete de luz que rodopia e sintetiza a existência
essa maravilha sonora, com pequenas codificações
com verdadeiras pontuações de freqüências
que não se contenta em parar no tempo
essa mimetização, tão plástica e maleável quanto o gesto
porem tão finita e eficaz, quanto o mesmo
corrente e padrão, pura convenção, porém ponte
passível de qualquer mudança, de todo tipo de alteração
ademais com uma sublime característica do inefável
é uma coisa e logo deixa de ser
e aí de quem a escreva, toda filologia a trairá com certeza
sairão como loucos ressentidos e déspotas iludidos
a pestanejar a acuidade dos sentimentos ali vividos
não sejamos injustos porém com qualquer tradição de estilos
daquilo que nos faz arrepiar
do que atingiu um valor na incerta modulação da cultura
e dos trejeitos da ridícula e frágil condição humana
ou da ridícula e trágica, condição super humana
tá bem... bela... quando afigura-se ao melhor das inclinações
o caloroso amor sempre nos tomba um refolgar o peito
a lágrima, o marear, o carinho e, mesmo, a guerra...
mas, este objeto, sempre visto, sentido e ressentido sob a ótica do estilo
e sua convenção amanhecidos, enternecidos
sucumbi de toda potência daquilo chamado verdade
em logo tempo reconhecido, pela sua utilidade
o trato das bestas suas conquistas e abismos
que seja assim bem entendido que a mesma palavra
serve a todos os sentidos, para a boca da mão que mata
à mão do poeta que canta, ao silêncio do monge que cala
porém, sua tensão é compatível ao gesto de cada uma dessas mãos
a mesma palavra, ou seja, ela é nada.
Mas como, se o nada não existe?
Me riu assim desse paradoxo sublime
Deixemos de tratar essa tal de palavra como ferramenta então
Os jurista sofrem um tanto, os poetas outro, e os analfabetos...
Assim a experimentam em suas vagas existências como uma projeção
e um refinamento do real. Ai... depois que criaram, então a tal da analise do discurso, perdeu-se toda uma graça do mundo...
antes o que era clichê era apenas clichê... mesmo código...
que soava tão cômodo aos nosso ouvidos... a gramática que o diga...
tão eficaz contra toda invenção, contra toda variação da linguagem...
Ela é nada, aqui estávamos... rarará... aí está o seu encanto...
Assim que você aparece ela parece ser algo... heim...
De maneira obvia ela me ligou a você, você a mim...
Mas, como pode se ela é nada... não bem assim
Se o nada não existe, ela não deveria existir...
E isso que nós chamamos nada,
nem no tempo nem no espaço há de encontrar-se...
Perdão, acabei de lembrar do tédio... é o nada.
Mas, esse pedaço de mundo que compartilhamos, definitivamente não é o nada.
Definitivamente é memorável, para não dizer eterno.
Pois quem nunca se pegou repetindo sem pensar uma palavra e distante dela surpreendeu-se com a sua estranha realidade...
Antes, porém, fora necessário uma leve inclinação do espírito para tal contemplação.... e de repente surge essa palavra, que se refere ao nada...
Sejamos simpáticos, a uma visão cartesiana é impossível falar de espírito
como objeto, posto que este o elegeu por não coisa, ou nada. A existência!!! Coitada das anêmonas... e dos macacos... e dos espíritos de porcos, ainda assim espíritos, kkkkk.
Comecemos então por um espírito de um porco
Coloquemos este espírito em um corpo de forma humana
E temos boa parte da civilização ocidental manifestada
em gestos tão claros e belos à sua maneira... por favor...
os porquinhos nada tem haver com a sujeira de um ente que se movimenta com sublime simpatia orgânica, tensões e padrões ligeiramente estomacais em primeira mão, tendências à alimentação com sangue ao uso inarticulado das palavras... longe do contentamento orgânico a linha de fuga tenaz à violência, normal... mas, bem, peguemos este espírito de porco e evoquemos ao longo de muitas vidas um infinidades de palavras com multifacetadas conexões com o mundo... a coisa melhora... ainda, de posse de seu novo corpo, diversos ensaios com novos e não mecanizados gestos, danças e outras possíveis mimeses...
a coisa melhora... e assim muitos sois se consumam, para essa geração bonita que vem por aí... muitos porcos ainda... paciência... mas, sensível e propensa à criação.. o mais alto nível de vibração de um corpo, o último grau do amor, aquele que eliminou o outro das suas intenções...
é um espírito com novas memórias
inclusive novas formas...
que assim se movimento
em outro nível da existência...

essa rima é exigência
pra terminar esse não poema

cansei de falar bobagens

ah.. sobre o tempo é o seguinte...
a luz movimenta-se 299 792 458 metros por segundo
pense…

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Paulo Tiago dos Santos

Nascido em Vitória da Conquista, "carrega água na peneira" desde pequeno, de 1900 e... esqueci...

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