Era uma vez uma cara chamado José, ele sabia que a vontade morre onde não há segredo, onde o tempo e a vertigem é o eterno saber. Era uma vez um cara chamado José, ele aprendeu que sua saciedade está entregue ao tempo e não há nada que o possa romper, ele sabia que desde as 5 da manhã a sua atenção deveria estar concentrada na eternidade e nem uma nem duas vezes ele deveria esquecer, era uma vez uma pessoa que não eximia-se da certeza durante um segundo se quer, ele tombou, romper com as suas seguranças e desfez-se em vento e aí ele pode esperar o melhor dia da sua vida em uma noite perdida de paz. O seu varal estava limpo e as roupas dançavam, e nunca mais ele cometia a virtude do esquecimento, pois nada havia a esquecer. Novamente ele desfez-se em sangue e então viu-se turvo e amparado na incerteza, mas então seu coração deixava-se amar com as delicadezas da vida, mas ele se esquecia de dizer o que fazer para cantar a celebre canção das avenidas, das putas, dos bandidos e dos moleques sem razão. Foi quando o seu peito começou a doer e ele se viu tão só quanto a sua mãe. Quanto a desesperança de sofrer um amanhã inútil e frio. Mas, por dias ele pensou sobre si mesmo, nas suas certezas, nas suas inseguranças, nas suas fraquezas e virtudes, nos seus atos e vacilações, em sua generosidade e sua inveja, em todas as saudades e todas as delícias, em tudo que um dia o abandonará e o amanhecerá solitário. Ele não havia desistido de nada, mas, não havia mais tempo, ele deveria apenas aceitar. Então o mundo se mostrou com a sua melhor face, ele não deveria buscar razão nem lamentar, deveria apenas aceitar, para que o momento fosse vivido plenamente em toda sua exuberância e simplicidade. E assim, José amou como nunca o chão que pisava, mas, chorava feito menino besta, quando perde a sensação que envolve o peito ao chorar, ele logo se lembrava de uma feliz tarde de outono, em que banhava no rio as canelas, com as velhas e parentelas, com os amados e amigos, num fim de tarde caindo, o frio, o rio e o sino. Era sua hora mais silenciosa e ele nem se alevantava, havia um vendaval de espinhos, mas sua alma cantava do outro lado do rio.

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Paulo Tiago dos Santos

Nascido em Vitória da Conquista, "carrega água na peneira" desde pequeno, de 1900 e... esqueci...

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